Falar sobre Ribamar Marques é falar sobre uma vida construída entre o conhecimento, a experiência e a permanente curiosidade diante dos mistérios da existência. Sua trajetória não se resume a títulos acadêmicos ou à soma de anos dedicados ao estudo. Ela revela, acima de tudo, a jornada de um homem que escolheu fazer da ciência uma forma de observar o mundo, compreender a vida e seguir aprendendo com ela, todos os dias.
Nascido em São Luís do Maranhão, em 19 de junho de 1950, Ribamar Marques foi ainda muito cedo para o Pará, estado com o qual construiu uma relação profunda de pertencimento. Entre Igarapé-Açu, Santa Izabel do Pará, Belém e Marajó, foi moldando não apenas sua memória afetiva, mas também sua forma de enxergar as pessoas, a cultura e a própria realidade. Suas raízes amazônicas não são um detalhe biográfico: elas fazem parte de sua identidade e ajudam a explicar a sensibilidade com que atravessa a vida.
No campo acadêmico, Ribamar consolidou uma trajetória admirável. Formou-se em Zootecnia, seguiu para o mestrado em Produção Animal, avançou no doutorado em Genética Quantitativa, aprofundou-se em um pós-doutorado em Genética Molecular e ainda agregou especialização em Conservação de Recursos Zoogenéticos. Trata-se de uma caminhada marcada por consistência, profundidade e dedicação a uma área tão complexa quanto fascinante: a genética.
Mas o que torna sua história especialmente singular é que, mesmo com uma formação robusta e décadas de estudo, Ribamar preserva algo raro entre os verdadeiros pensadores: a humildade intelectual. Seu fascínio pela genética não nasce da pretensão de dominar completamente o tema, mas justamente do reconhecimento de sua imensidão. É essa postura que dá grandeza à sua trajetória. Afinal, os que realmente mergulham no conhecimento sabem que cada resposta abre caminho para novas perguntas.
Essa inquietação científica convive, em Ribamar, com uma visão ampla e sensível sobre a vida. Música, cinema, esportes e política compõem o repertório de alguém que nunca se limitou ao universo técnico. Do rock clássico ao tecnobrega paraense, das reflexões sobre a vida pública ao amor pelo futebol, sua personalidade se desenha na interseção entre razão e emoção, entre análise e vivência. Ele não é apenas um homem da ciência, mas um observador atento do seu tempo e das forças que movem a sociedade.
Há também, em sua forma de pensar, uma dimensão filosófica muito própria. Ribamar enxerga a vida como uma experiência que pede leveza, simplicidade e prazer, sem perder de vista a ética, o bem e a responsabilidade diante do mundo. Sua crença em uma energia universal, em um fluxo maior que conecta existência, começo e fim, mostra que sua busca vai além do saber formal. É como se a ciência, para ele, não excluísse o mistério, mas o tornasse ainda mais instigante.
Por isso, conhecer Ribamar Marques é encontrar uma trajetória que une formação sólida, identidade regional, repertório cultural e reflexão humana. Sua história inspira não apenas pelo que construiu academicamente, mas pela maneira como escolheu atravessar a vida: com inteligência, curiosidade, integridade e abertura para aquilo que ainda não se explica por completo. Em tempos de superficialidade, sua caminhada lembra que profundidade, sensibilidade e coerência ainda são valores capazes de deixar marca.


